20/04/2017 •
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Crescer sozinho é possível, mas juntos pode ser muito melhor

Artigos e estudos de pessoas de referência no mundo dos negócios costumam me inspirar e me instigam a colocar a cabeça para funcionar. Recentemente, li um artigo que foi motivador das minhas palavras de hoje, construído pelo professor Vicente Falconi.

 
 

Esta importante figura do mercado, que desenvolve muitas questões voltadas ao nível de rendimento e perenidade de grandes empresas, me fez refletir muito sobre como as pessoas se constroem e pensam profissionalmente aqui na ClearSale.

Há 16 anos, quando fundei a empresa junto com meu sócio, Bernardo Lustosa, não imaginava a proporção que o negócio ganharia nos dias de hoje. Já somos em mais de 800 colaboradores e 100 milhões de transações analisadas, segundo cálculos do ano de 2016. Como explicar que, partindo daquela ideia de desenvolver softwares antifraude, lá em 1999, chegaríamos a um nível tão sustentável de análise profunda do negócio, baseada em modelos estatísticos sólidos e na extração de informações de uma base única de dados do mercado construída pelo nosso time e pelo mercado. E ainda assim, ao mesmo tempo, detentora de prêmios importantíssimos de valorização de pessoas como Great Place to Work e Love Mondays.

A resposta para mim é simples: quando seu lado profissional cresce junto ao pessoal, os objetivos de vida passam a fazer mais sentido dentro da empresa, trazendo a excelência nos resultados de forma mais natural. Afinal, para nós, é muito claro que o profissional é uma pessoa e parte importante da pessoa é o profissional e, se encarados de forma isolada, podem gerar grandes impactos em seus resultados e qualidade de vida.

A questão não se sustenta apenas a cenários empresariais, muito conhecidos quando se fala em ambiente disruptivo, como ter mesas de ping pong, salas de descompressão, e benefícios, ou ter horário flexível e levar cachorros ou filhos(as) ao ambiente de trabalho. O formato é inclusive alvo de críticas entre os formadores de opinião, pois entende-se que a pessoa “perde tempo de trabalho” ao desfrutar dessas atividades.

A análise deve ser muito mais profunda neste caso, chegando a duas grandes questões para mim. Uma é a forma com que a mente cansada e pressionada volta ao trabalho depois de utilizar estes ambientes, serviços ou benefícios. Vamos buscar em nossas memórias alguns momentos em que tivemos insights criativos ou excelentes ideias para resolver enigmas do ambiente profissional. Com certeza, em muitos deles, você estava com a mente descomprimida, em um bar com amigos ou em qualquer outro momento de lazer.

Nesta hora, ocorre um fenômeno similar ao descrito por Sigmund Freud em sua teoria de divisão do aparelho psíquico humano, o relaxamento do superego (inconsciência em ação). Esta parte do cérebro funciona como uma instância moral interna, que em um estado mais tranquilo, tem o poder de unir elementos que, inconscientemente já estavam dentro de nós, produzindo novas ideias com base no nosso "banco de dados" cerebral.

E, para completar e amarrar todos estes caminhos em um pilar forte e sustentável, entra a importância do “fazer parte”, do ambiente transformador, do objetivo pessoal de um colaborador estar unido de forma intrínseca à sua atuação profissional, fazendo com que a excelência seja uma consequência do seu esforço e não uma meta. Mais do que entregar indicadores e mais zeros na conta, a pessoa se enxerga de forma completa em seu lado profissional e gera resultados mais expressivos para ambos os lados.

Para ilustrar, tenho um caso recente na ClearSale de uma colaboradora que trabalhou um ano com eventos e, em alguns detalhes, deixava claro que aquela não era a posição na qual seu dom brilharia mais. Via liderança, ela posicionou seu objetivo pessoal e profissional, que era exercer sua profissão, a de Jornalista, e traduzir em diferentes tipos de conteúdo tudo que a empresa faz. Feito isto, sua carreira ganhou um novo caminho e seu brilho no olhar também. Além de ser perceptível ao andar pelos corredores, é também palpável quando traduzido na qualidade de suas entregas de planejamento e ideias.

São pontos como estes que fazem a ClearSale e outras empresas que seguem a mesma linha de raciocínio ao entregar resultados expressivos que levam uma companhia a superar metas em anos de crise, por exemplo, como foi nosso caso em 2016. E também, valorizar o lado humano do seu time tendo uma equipe de Gestão Educacional mais ativa do que nunca, sempre disposta a ouvir, trocar experiências e resgatar, em cada um, a importância do crescimento individual para a vitória coletiva.

Sendo assim, chegamos ao ponto alto desta reflexão, que nos leva a acreditar que é possível exigir muito de uma pessoa no ambiente profissional, propondo metas agressivas, cobranças e exigências de grande teor, mas sem ferir ou excluir aspectos da sua vida pessoal. Se você não compreender o contexto de vida deste indivíduo, pode deixar de explorar o lado mais refinado e dedicado de seu talento.

Há uma linha tênue entre a liberdade e a responsabilidade, que deve ser muito bem respeitada para que uma empresa construa uma história por um caminho perene. Pontos como clareza sobre missão, visão e valores da companhia, gestão de dentro para fora e não gerar apenas valor, mas pessoas com valores, pode ser a química perfeita para fazer da sua empresa não só um local de grande rendimento financei

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Pedro criou a ClearSale, em 2001, a empresa de gestão de riscos de fraude que inovou como a fraude é tratada no Brasil para se tornar líder da indústria, com mais de 75% de participação de mercado. Ele é atleta e competiu nas provas de obstáculos de 110 e 400 metros para o Brasil em dois Jogos Olímpicos e cinco no Campeonato Mundial. Ele é formado em Ciência da Computação pela Faculdade Point Loma Nazarene, em San Diego, EUA, e sabe aplicar a disciplina de esportes ao mundo corporativo, sempre procurando superar a si mesmo.