13/12/2019 •
2 min. de leitura

O que é e como fazer uma análise de risco financeiro?

Conhecer os riscos e decidir quais a empresa pode assumir é fundamental para a saúde financeira do negócio

 
 

A gestão de toda e qualquer empresa envolve alguns tipos de riscos financeiros inerentes ao negócio. É claro que cada um deles tem suas especificidades que podem variar de acordo com o segmento de atuação da empresa, mas nunca haverá uma atuação sem nenhum tipo de risco. E é neste contexto que surge a análise de risco financeiro.

Mais do que evitar riscos, esse tipo de análise permite, principalmente, prever cenários de crise e planejar ações que possam mitigar as consequências negativas comuns aos momentos nos quais os riscos se tornam realidade.

Por tudo isso, uma análise de risco financeiro bem elaborada é fundamental à saúde dos negócios de uma empresa. Com isso, surgem dúvidas sobre o que é essa análise e como fazê-la da maneira mais adequada.

O que é a análise de risco financeiro

A análise de risco financeiro é o processo no qual se avalia a real probabilidade de acontecer um cenário financeiro que seja adverso à empresa, como inadimplência, fraude, ações judiciais, mudanças na política e na economia e outras situações que geram prejuízos financeiros.

Tal análise, geralmente realizada por profissionais com muito conhecimento de riscos e estatística, permite que planos de ação sejam elaborados para diferentes cenários, fazendo com que o impacto negativo de uma eventual ocorrência seja o menor possível.

Quais são os tipos de riscos financeiros

Existem alguns tipos mais comuns no mercado corporativo atual, e conhecê-los com clareza é fundamental para poder lidar com eles. Conheça os principais

Risco de mercado

Independente do segmento, todo e qualquer mercado pode sofrer com oscilações, sejam elas de preço, taxa de juros ou outros fatores, como política e economia do país. Por esse motivo, conhecer as tendências de mercado é fundamental para prever situações e mitigar os riscos. No entanto, um bom planejamento financeiro faz com que, mesmo na ocorrência de uma oscilação mais aguda, a empresa não sofra danos severos.

Risco de crédito

Uma empresa precisa ter credibilidade e ser reconhecida como tal por seus credores, para que não pague taxas elevadas de juros e não passa por dificuldades para obter crédito no mercado. Além disso, se o core business for diretamente ligado à concessão de crédito, como é o caso de bancos, financeiras e seguradoras, por exemplo, é preciso ter uma análise de crédito ainda mais minuciosa e precisa, o que permitirá um processo de precificação mais justo e saudável para todas as partes.

Risco de liquidez

Toda empresa tem compromissos financeiros que precisam ser cumpridos, sejam com colaboradores, fornecedores, etc. Para isso, é preciso que o capital de giro seja suficiente para cobrir eventuais problemas vindos dos riscos de liquidez inerentes a todo negócio. A grosso modo, é como se a empresa precisasse ser capaz de honrar os compromissos financeiros mesmo que perdesse uma receita considerável por um certo período de tempo, evitando juros e multas por endividamento.

Riscos de operação

Este tipo de risco engloba tudo o que envolve diretamente a operação de uma empresa, como por exemplo a quebra de um equipamento que impacta na produção de uma fábrica, ou mesmo a fraude que causa um grande prejuízo em um e-commerce. A empresa precisa ter condições de analisar a probabilidade de ocorrer um fato desse tipo, bem como ser capaz de agir quando ele acontecer.

Como é feita a análise de risco financeiro

A análise é, de forma simplificada, feita a partir de um grande conjunto de cálculos elaborados para determinar o grau de exposição da empresa a riscos potenciais. Estes cálculos consideram diversos fatores, para estabelecer não apenas a probabilidade de um evento crítico acontecer, mas também prever as perdas financeiras que ele pode ocasionar. Outras metodologias incluem também a possibilidade de detectar o risco em tempo hábil para tomar medidas preventivas ou de correção.

O grau de exposição da empresa ao risco é calculado de forma quantitativa. Em eventos que geram consequências sobre apenas uma área, a estimativa do efeito potencial pode ser feita multiplicando a probabilidade da ocorrência com o cálculo aproximado da perda financeira que ela pode gerar.

Tais cálculos tornam possível medir com mais precisão o que é um risco aceitável e o que coloca em risco os cofres de uma empresas, o que pode auxiliar cada uma das tomadas de decisão dentro da organização.

O que fazer ao identificar um risco

Ao fazer a análise de risco financeiro, a empresa já consegue decidir se quer assumir riscos aos quais está exposta ou evita-los, adotando uma postura mais conservadora. Basicamente, as empresas têm as seguintes opções:

Evitar o risco

A postura mais conservadora pode parecer, em um primeiro momento, a melhor, já que evitar riscos é tentador. O problema, no entanto, é que na maioria das vezes, ganhos e lucratividade estão diretamente ligados ao apetite ao risco.

Apenas aceitar o risco

Se o risco é considerado tolerável pela empresa, ela pode decidir por aceitá-lo, considerando a preparação para o caso dele efetivamente acontecer.

Aceitar o risco, mas reduzi-lo

A empresa pode considerar o risco aceitável, mas somente se algumas medidas forem executadas para minimizar a chance de problemas.

Transferir o risco

Uma organização pode aceitar o risco e transferir as possíveis consequências a um terceiro, como contratar um seguro, por exemplo.

Aceitar o risco e explorá-lo

Mais comum no mercado financeiro, essa opção é aquela na qual a empresa conhece o risco e decidi aumentar sua exposição, como em investimentos mais agressivos que podem oferecer maior rentabilidade.

Instrumentos de gestão de risco

Existem alguns tipos de ferramentas úteis para se fazer a gestão após a análise de risco financeiro, como mostrado abaixo:

What if

É uma ferramenta de gerenciamento de riscos muito simples de ser aplicada. Basicamente, consiste em imaginar todas as possíveis situações de risco que podem ocorrer e o que poderia causar cada uma destas situações. Esta ferramenta costuma envolver reuniões com colaboradores para levantar o máximo possível de informações sobre a realização dos projetos de uma empresa. Essas informações, em conjunto com a experiência da equipe, serão utilizadas para a formulação de diversos questionamentos hipotéticos, baseados na pergunta ‘E se?’, que é a tradução de ‘what if’.

Análise Preliminar de Risco

A Análise Preliminar de Riscos (APR) é uma técnica aplicada nas fases iniciais de implementação de novos projetos ou no desenvolvimento de novos produtos e serviços. Ela tem como objetivo principal evitar ocorrências que possam prejudicar a sua execução.

Sua aplicação consiste no preenchimento de uma tabela na qual são listadas todas as atividades envolvidas nos processos a serem analisados, enumerando todos os possíveis riscos de cada atividade.

Após a identificação dos riscos, deve-se correlacioná-los com suas possíveis causas e consequências, estipulando as medidas necessárias de prevenção, correção ou controle destes riscos.

Failure Mode and Effect Analysis (FMEA)

O FMEA (Failure Mode and Effective Analysis) é uma ferramenta de gerenciamento de riscos usada para identificar os riscos, suas causas e propor as soluções mais adequadas para corrigir as falhas.

É uma ferramenta versátil, que pode ser usada para avaliar problemas na produção de produtos ou em processos, sendo chamada, nestes casos de PFMEA (Process FMEA).

Ela trabalha com indicadores numéricos de severidade, frequências das ocorrências e grau de dificuldade de detecção. Estes indicadores recebem pontuações e são utilizados para calcular um quarto índice, chamado RPN (Número de Prioridade de Risco), que indica o grau de urgência em solucionar cada problema.

Boas práticas de gestão de riscos

Como na maior parte dos processos de uma empresa, o equilíbrio é sempre o mais indicado. Por isso, a definição das potenciais ameaças é importante, mas não pode ser exagerada, já que eventos raros e com pouca probabilidade de ocorrência, por exemplo, talvez não sejam tão relevantes para o dia a dia.

As especificidades de cada negócio precisam ser consideradas em cada etapa da análise de risco financeiro. Uma prática recomendada é conversar com gestores e colaboradores para entender o funcionamento dos processos no dia a dia.

Para conseguir uma visão mais ampla a partir de uma análise de riscos financeiros qualitativa, é importante consultar setores que tenham um conhecimento macro do funcionamento da organização, principalmente para conhecer o que é uma necessidade mais urgente ou não.

Seguir o mapeamento de riscos requer priorização. A ideia é compreender quais ameaças precisam realmente ser eliminadas imediatamente, quais precisam apenas ser controladas, etc. Ou seja, é preciso pensar no custo-benefício entre as variáveis impacto e probabilidade.

Por fim, pode-se dizer que levar a análise de risco financeiro a sério é uma prática quase que obrigatória para empresas que pretendem escalar seus negócios com segurança, de forma saudável e sustentável.

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Jornalista responsável pela produção de conteúdo da ClearSale, é graduado pela Universidade São Judas Tadeu e pós-graduado em Comunicação Multimídia pela FAAP. Tem 10 anos de experiência em redação e edição de reportagens, tendo participado da cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo. Renovado após seis meses de estudo e vivência no Canadá, aplica agora seus conhecimentos às necessidades do mundo corporativo na era do Big Data.