31/03/2021 •
2 min. de leitura

Fraude Cartão de Crédito: principais tipos e como proteger seu varejo

Conheça mais e saiba como evitar este mal em seu varejo

 
 

Apesar do surgimento constante de novos meios de pagamento, o cartão de crédito ainda concentra grande parte das transações do varejo brasileiro, justamente pela enorme quantidade de transações que isso significa — mais de R$ 1 trilhão somente em 2019, segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito.

Esse cenário faz com que grandes quadrilhas de fraudadores vivam em busca de meios para conseguir os dados desses cartões com o intuito de realizar aquilo que é um dos maiores pesadelos do varejo hoje em dia: a Fraude de Cartão de Crédito.

Obviamente, tal problema merece muita atenção e cuidado tanto por parte dos varejistas quanto pelos consumidores, inclusive com relação aos novos métodos de pagamento como o PIX.

Por isso, para ficar longe de transtornos e prejuízos com esse tipo de fraude, é preciso saber como ela acontece, quais são os principais tipos e como se proteger de ataques. Logo, acompanhe nosso artigo e fique por dentro do assunto!

Saiba mais sobre as fraudes de cartão de crédito

Antes de abordarmos sobre os principais tipos de fraudes e como se proteger desses ataques, iniciaremos o texto destacando alguns pontos importantes para que você entenda detalhadamente sobre o assunto. Confira, a seguir!

Como a fraude no cartão de crédito acontece?

Como dito, o cartão de crédito é uma das formas de pagamento preferidas entre os brasileiros — e, consequentemente, um dos atalhos mais desejados para a realização de fraudes e golpes.

Na maioria das vezes, as fraudes são um resultado de descuidos ou incidentes por parte dos usuários, porém as ferramentas de segurança e de antifraude da instituição financeira também podem contribuir para que compras indevidas não sejam aprovadas, por exemplo.

Quais são os principais riscos?

No caso dos consumidores, quando acontece alguma fraude, o cartão de crédito pode servir para realizar compras pelos criminosos, ocasionando prejuízos financeiros imediatos, assim como cobranças indevidas.

Também existe a questão do vazamento de dados pessoais, como nome completo, número do documento de identificação, endereço residencial, entre outras informações. Certamente, isso pode aumentar a possibilidade de outros tipos de golpes futuros.

Como consequência, as vítimas dessa situação podem ter seu nome nos birôs de proteção ao crédito, como SPC e Serasa, ficando com nome negativado. 

Para os varejistas, além das perdas financeiras, as fraudes afetam a reputação do negócio. Na maioria das vezes, quando há fraudes de cartão de crédito, o score da empresa atrapalha a autorização da venda, assim a nota cai e as instituições financeiras negam o pedido.

Além disso, a fraude faz com que as empresas percam créditos perante os consumidores. Os clientes ficam com receio de possível vazamento de dados ou utilização de forma indevida, deixando de realizar suas compras no estabelecimento.

Como é feita a análise da fraude no cartão de crédito?

A análise de fraude no cartão de crédito consiste em uma prática preventiva contra perdas. Por isso, mostra-se vantajosa para os lojistas e para os consumidores.

Esse processo, normalmente, considera diversos critérios para identificar se um pagamento é fraudulento ou não. Mas, de modo geral, podemos mencionar dois tipos de análise nesse processo de segurança: automática e manual. As duas são feitas por instituições especializadas, que são contratadas pelas lojas e atuam junto aos bancos.

A análise automática é baseada na apuração criteriosa das informações do consumidor — titular do cartão de crédito. Essa ação acontece a partir do cruzamento dos dados do cliente, que abrange vários sistemas e regras de avaliação da compra.

O segundo caso, análise manual, consiste em um procedimento em que os dados do comprador são investigados e analisados com mais rigidez. Seria um tipo de procedimento extra.

Quais os possíveis resultados dessa análise?

Os resultados da análise podem resultar em: aprovação imediata, aprovação em análise ou reprovação da transação. Esses resultados representam:

  • Aprovação Imediata: análise automática em que são confirmados todos os dados disponibilizados pelo comprador e validados pelo banco emissor do cartão de crédito;
  • Aprovação em Análise: acontece quando as informações concedidas estão corretas, mas a verificação extra torna-se necessária devido ao perfil do titular do cartão;
  • Reprovação Imediata: acontece porque uma ou mais informações fornecidas pelo cliente na transação não estão de acordo, ou não foram validadas pela instituição financeira emissora do cartão de crédito.

Isso acontece porque as empresas de segurança cruzam as informações do cliente com os dados registrados pelos bancos do cartão de crédito e os órgãos verificadores. Portanto, as análises funcionam justamente como um filtro com o objetivo de evitar problemas futuros para a loja e para o cliente.

O que fazer quando há fraude?

Mesmo com a adoção de mecanismos de segurança e de políticas antifraude, nenhuma empresa está livre de sofrer esses golpes. Por esse motivo, é importante saber como proceder quando ocorrer essa situação no varejo.

Primeiramente, ressaltamos a necessidade de a empresa empregar métodos de checagem das vendas no cartão todos os dias, a exemplo de um software. Essa atitude pode agilizar a identificação de instabilidades e eventuais fraudes que acontecem nas vendas, além de oferecer mais transparência às operações.

Em seguida, ao verificar inconsistências no sistema, avise imediatamente a administradora do cartão a identificação de atividades suspeitas, por meio da Central de Atendimento ao Cliente. Solicite o cancelamento da compra, o bloqueio e a substituição do cartão de crédito por um novo. Não se esqueça de anotar o número de protocolo, pois poderá ser utilizado futuramente.

Se, por acaso, a empresa só perceber a fraude depois do pagamento ou, ainda, caso a administradora se recuse a cancelar as compras contestadas, o valor pago indevidamente deve ser devolvido em dobro. Por fim, se alguns dos direitos forem descumpridos pelas operadoras de cartões de crédito, registre sua reclamação junto ao PROCON. 

Quem é o responsável?

A responsabilidade da fraude de cartão de crédito é tema de impasse entre empresas de diferentes setores. Embora o roubo de dados do cartão de crédito possa gerar muita dor de cabeça ao consumidor, dificilmente haverá um prejuízo financeiro, já que para ele é possível conseguir facilmente o estorno da compra junto à operadora.

Pelo ponto de vista do varejo, por exemplo, o problema não é só o estresse. Atualmente, nenhuma administradora de cartão assume os riscos de uma transação comercial, deixando o prejuízo todo para o varejista, que efetua a venda e depois descobre que não terá o valor creditado em sua conta.

Tal fato faz com que o varejo fique exposto à ação de fraudadores, que buscam constantemente brechas para tomar algum tipo de vantagem para si. Por isso, tomar alguns tipos simples de cuidados pode ser a diferença entre ser, ou não, vítima de um ataque fraudulento.

Principais tipos de fraudes de cartão de crédito

Ainda que a fraude seja um evento absolutamente dinâmico, alguns tipos são mais comuns e recorrentes, e geralmente são frutos de algum tipo de descuido ou distração no uso do cartão de crédito.

O roteiro costuma seguir a mesma linha: fraudadores conseguem ter acesso aos cartões ou apenas aos seus dados, fazem alguns testes para ver se estão válidos e, em seguida, saem pelo varejo para causar diversos tipos de prejuízos.

No Brasil, dado o alto índice de criminalidade, há também o agravante da grande quantidade de furtos e roubos que faz aumentar a quantidade de fraudes de cartão de crédito. Conheça abaixo alguns dos principais tipos!

Clonagem de cartão de crédito

A clonagem de cartão de crédito é o tipo mais comum de fraude neste meio. Ao mesmo tempo em que muitos fraudadores ainda utilizam de métodos mais arcaicos para ter acesso físico aos cartões, é sabido que muitas quadrilhas desenvolvem, quase que diariamente, diferentes tecnologias para acessar apenas os dados dos cartões de crédito, o que já é suficiente para cometer inúmeras fraudes.

Isso acontece porque o avanço tecnológico fez com que os fraudadores não precisassem mais ter acesso aos cartões de crédito para cloná-los. Com a disseminação dos chips e desbloqueio por senha — atualmente, 95% dos cartões em circulação no Brasil têm chip, segundo a Abecs —, a incidência de clonagens físicas dos cartões caiu muito, pois a maioria das fraudes agora acontece em ambientes digitais.

Gerador de números falsos

Já está claro que o avanço tecnológico também é utilizado por quadrilhas organizadas de fraudadores. Por meio de ferramentas cada vez mais desenvolvidas, estes criminosos constroem máquinas cibernéticas capazes de gerar uma infinidade de combinações numéricas para testá-las em diferentes canais.

Quando uma destas combinações se mostra realmente válida, ou seja, é um número de cartão de crédito ativo, os fraudadores partem para a efetivação das fraudes, comprando produtos e serviços pelos quais jamais pagarão.

Roubo de dados

Além do já citado roubo propriamente dito, que é quando fraudadores têm acesso físico aos cartões de crédito, há também outras modalidades bastante conhecidas para o roubo apenas dos dados dos cartões, que, na maioria das vezes, ocorre por meio de ligações e mensagens falsas.

A mais difundida delas é o chamado phishing, que é uma técnica antiga da chamada engenharia social, e está ligada ao conjunto de ações tomadas por criminosos para o roubo de dados dos cidadãos. ­O phishing ocorre quando um cibercriminoso se passa por uma empresa e forja comunicações com a vítima, que acredita estar diante de um contato legítimo.

O mais comum é que fraudadores se passem por bancos ou empresas de cartão de crédito solicitando informações sensíveis, como senhas e dados de cadastro, ou mesmo solicitando a instalação de falsos softwares de segurança etc.

Se a vítima cai no golpe, os dados do cartão que ela informou passam a ser utilizado para os mais diversos fins criminosos.

Fraude com PIX

Em vigência desde novembro de 2020, o PIX é um novo meio de transações bancárias instantâneas criado pelo Branco Central, que deve substituir os tradicionais TED, DOC e boletos.

A tecnologia oferece diversas vantagens, relacionadas sobretudo à utilização em qualquer dia e horário, incluindo finais de semana e feriados. O grande problema é que a adesão crescente à modalidade de pagamento vem acompanhada de muitas tentativas de fraudes.

Entre os golpes mais comuns destacam-se o sequestro de conta de WhatsApp, o uso de perfil falso em redes sociais, a simulação de atendimento telefônico e o golpe do "bug do Pix”.

O "Bug do Pix", por exemplo, é um dos mais famosos — um tipo de falha que acontece ao executar algum sistema eletrônico. Basicamente, o usuário recebe uma mensagem dizendo que, devido a um bug no sistema do Pix, ele poderá adquirir o dobro de dinheiro ao realizar uma transferência utilizando determinadas chaves. Todavia, ao realizar essa operação, o usuário está enviando dinheiro para os golpistas. 

6 dicas para manter seu negócio longe de fraudes com cartão de crédito

Para evitar problemas com fraudes de cartão de crédito, é preciso, antes de qualquer coisa, estudar o segmento no qual se atua, para entender se ele é ou não considerado de maior risco (como a venda de smartphones, por exemplo), e, a partir disso, conhecer as melhores práticas de prevenção e combate a fraudes a se adotar.

Além disso, é importante investir em comunicação, ou seja, enviando mensagens padronizadas que ajudem os usuários a identificar mais rapidamente o que realmente veio da organização.

No entanto, enquanto faz isso, o empresário pode adotar algumas ações que podem mantê-lo sempre longe dos olhos atentos dos fraudadores. Veja algumas delas!

1. Busque um parceiro antifraude especializado

É fundamental procurar soluções de parceiros antifraude que tenham expertise suficiente para entender o contexto de cada situação e para conseguir mapear a ação de fraudadores nos mais minuciosos detalhes, já que a fraude é dinâmica e exige equilíbrio entre inovação — como no uso de ferramentas de AI e Machine Learning, por exemplo — e inteligência humana para combatê-la.

Hoje em dia, bases de dados robustas permitem a aplicação de ferramentas de inteligência artificial para mapear o comportamento de consumo das pessoas em ambientes digitais, além de facilitar a identificação rápida de padrões de ataque de fraudadores.

As ferramentas que empresas especializadas na prevenção e no combate a fraudes têm são muito eficazes para diminuir o índice de fraude. Quando se busca equilíbrio entre tecnologia avançada e inteligência humana qualificada, fica mais fácil estar sempre à frente dessa verdadeira corrida contra os fraudadores.

2. Oriente os seus clientes

Como explicado anteriormente neste artigo, os fraudadores atacam primeiro as pessoas físicas, já que eles precisam de dados pessoais e de cartões de crédito para cometer a maioria das fraudes.

Diante disso, todo negócio que conseguir orientar claramente seus clientes sobre uso de senhas fortes, não compartilhamento de dados, manutenção de antivírus atualizados e busca por fontes confiáveis de informação certamente já terá evitado muitos problemas.

3. Monitore indicadores

Um trabalho eficiente de prevenção e combate a fraudes exige o equilíbrio entre três indicadores importantes: taxa de aprovação, índice de chargeback (prejuízo) e tempo de resposta.

Pense que de nada adianta zerar a fraude se você estiver bloqueando bons clientes. Pelo contrário, este prejuízo pode ser muito maior do que a fraude propriamente dita, até mesmo pelo arranhão que tal fato pode causar na imagem de uma marca.

Além disso, em tempos nos quais a boa experiência do cliente deve ser o centro do trabalho, de nada adianta demorar para aprovar ou não uma transação, pois isso certamente causará muitas desistências e afetará a relação de confiança entre empresas e clientes.

4. Crie um banco de dados

Acompanhe e armazene dados sobre as tentativas de fraude, registros de estorno e clientes com históricos problemáticos, pois ter esse banco de informações pode ser uma arma valiosa em futuras análises, incluindo análises antifraude para e-commerce.

5. Compartilhe informações e conhecimento

Já que os fraudadores se comunicam em rede para compartilhar brechas em sistemas de proteção, o varejo precisa alimentar redes de prevenção de fraudes, inclusive da Fraude Cartão de Crédito, pois isso facilita a identificação de padrões e permite que grandes ataques sejam barrados antes que causem prejuízos desastrosos.

6. Utilize sistemas de automação financeira

Além dos tradicionais mecanismos de prevenção de fraude, os sistemas tecnológicos bancários colaboram ainda mais com a automação financeira, assim como na prevenção de golpes.

Entre esses sistemas, destacam-se aqueles que facilitam a conciliação financeira. Eles ajudam a reduzir a quantidade de chargebacks, bem como integram todos os pagamentos recebidos através de operadoras, possibilitando uma análise completa dos pagamentos.

A empresa pode, por exemplo, investir em intermediadores de pagamento ou em processos logísticos que controlem a entrega dos produtos recolhendo as assinaturas dos recebedores. Todas essas medidas permitem oferecer uma experiência de compra ainda melhor para os consumidores.

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Escrito por

Jornalista responsável pela produção de conteúdo da ClearSale, é graduado pela Universidade São Judas Tadeu e pós-graduado em Comunicação Multimídia pela FAAP. Tem 10 anos de experiência em redação e edição de reportagens, tendo participado da cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo. Renovado após seis meses de estudo e vivência no Canadá, aplica agora seus conhecimentos às necessidades do mundo corporativo na era do Big Data.